OPERAÇÃO SISAMNES – Ministro do STJ é investigado por ligação com lobista de MT

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O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Paulo Dias de Moura Ribeiro, passou a ser investigado formalmente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de eventual envolvimento no esquema de venda de decisões judiciais atribuído ao lobista mato-grossense Andreson de Oliveira Gonçalves e à advogada Mirian Ribeiro Gonçalves. A investigação foi autorizada em 19 de maio deste ano pelo ministro Cristiano Zanin, relator do Inquérito 4.997, mas permaneceu sob sigilo.

A existência da investigação foi revelada pelo Estadão e confirmada, que teve acesso à decisão assinada por Zanin. O despacho amplia o alcance da apuração, que inicialmente mirava apenas servidores do gabinete de Moura Ribeiro, para incluir o próprio magistrado do STJ.

Esta é a primeira vez, desde a deflagração da Operação Sisamnes em novembro de 2024, que um integrante da alta corte judicial do país se torna alvo direto das apurações conduzidas perante o STF.

Em relatório parcial enviado ao STF, a Polícia Federal mapeou suspeitas em ao menos dez processos sob relatoria do ministro no STJ. Ao analisar os elementos apresentados pelos investigadores e ratificados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Zanin decidiu estender formalmente o escopo da investigação.

No despacho assinado em 29 de maio, o relator fundamentou a necessidade de incluir a autoridade que possui prerrogativa de foro na Suprema Corte. “Em razão da linha de fundamentação trazida pelas hipóteses criminais, depreende-se a necessidade de que a instauração de inquérito por mim autorizada em 29 de maio do ano anterior também passe a referenciar o eminente ministro Paulo Dias de Moura Ribeiro, do Superior Tribunal de Justiça, e não apenas eventuais servidores, efetivos ou não, em exercício no seu gabinete à época dos fatos narrados.”

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Em outro trecho da decisão, Zanin justificou a indispensabilidade da medida cautelar para o aprofundamento das investigações. “Autorizo a instauração de inquérito também no que alude à autoridade mencionada, o eminente Ministro Paulo Dias de Moura Ribeiro, do Superior Tribunal de Justiça. Torna-se imperioso averiguar possível existência de indícios de ilegalidades penais envolvendo a autoridade sujeita à jurisdição desta Suprema Corte. A medida se mostra imprescindível e razoável, digo novamente, diante da ampla gama de requerimentos formulados pela autoridade policial e pela Procuradoria-Geral da República nestes autos.”

Com o aval do Supremo, os investigadores obtiveram autorização para realizar levantamento bancário, fiscal e patrimonial de parentes e pessoas próximas ao ministro, além de servidores lotados em seu gabinete no período apurado.

Mudança de posição e repasses financeiros  

Um dos casos sob suspeita envolve a disputa pela reintegração de posse de uma fazenda em Mato Grosso. A PF detectou que o gabinete do ministro alterou seu entendimento no processo logo após a juntada de uma procuração em nome da advogada Mirian Ribeiro.

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Além das decisões judiciais, os investigadores identificaram duas transferências bancárias suspeitas feitas pela empresa Florais Transportes, de propriedade do lobista Andreson Gonçalves, para um ex-técnico judiciário que atuava como assistente de plenário (“capinha”) de Moura Ribeiro.

Outro lado  

Ao Estadão, o ministro Moura Ribeiro afirmou desconhecer a existência de investigação referente às suas decisões no tribunal. O magistrado explicou que o servidor mencionado na reportagem atuou por curto período em seu gabinete em 2019 e foi exonerado a pedido do próprio ministro após a constatação de conduta irregular.

Moura Ribeiro ressaltou que tem mais de quatro décadas de magistratura e carreira ilibada, repudiando qualquer associação a ilícitos. A defesa de Andreson de Oliveira Gonçalves declarou que o próprio relatório da PF reconhece a falta de indícios de ilegalidade em relação ao ministro e sustentou que o pedido de diligências busca apenas justificar a permanência do caso sob a jurisdição do STF. (Com informações do Estadão).

PORTAL PARANATINGA – Gazeta Digital – Foto – Reprodução GD

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