O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou hoje a operação Salve-Geral, que teve como principal objetivo desarticular lideranças de uma organização criminosa responsáveis por ordenar crimes violentos em Sinop e cidades vizinhas, além de impedir que integrantes da facção continuem comandando ações criminosas de dentro da penitenciária Ferrugem em Sinop. A investigação é um desdobramento de operações realizadas no ano passado e cumpre oito mandados de busca, apreensão e dois de prisão nos bairros Camping Clube, Alto da Glória e na unidade prisional.
O delegado da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Getúlio Daniel, explicou que as investigações identificaram integrantes da facção que exerciam papel de liderança na organização criminosa. “Há alguns meses para cá, nós temos percebido que alguns crimes que vinham acontecendo, especialmente aqui em Sinop e na cidade de Vera, aconteceram dois latrocínios. E foram identificados alguns integrantes que eram responsáveis por determinar essas ordens e comandar esses crimes. Além dos executores, é muito importante frisarmos a importância de prendermos aqueles que determinam, que mandam, os mandantes desses crimes”.
Segundo o delegado, a principal preocupação das forças de segurança é impedir que criminosos continuem coordenando delitos mesmo após serem presos. “Infelizmente a gente tem notado que algumas ordens têm sido emanadas de dentro do presídio. Então, nós temos essa preocupação. Por mais que a gente faça o nosso trabalho, em conjunto com todos os órgãos de segurança pública, levamos esse criminoso pra dentro do presídio e mesmo lá ele continua ordenando crimes na sociedade. Hoje, o nosso objetivo foi retirar a possibilidade desses criminosos continuarem determinando essas ordens, principalmente retirando da mão deles aparelhos eletrônicos, celulares, onde eles têm realizado essas condutas ilícitas”.
As investigações apontaram que os alvos ocupavam a função conhecida como “disciplina” dentro da estrutura do grupo criminoso. “São aquelas responsáveis por torturas, vulgarmente chamadas de salve, além da prática de extorsões em diversos comércios aqui da nossa cidade, o próprio tráfico de drogas, integrar a organização criminosa e a lavagem de capitais”.
O delegado destacou ainda que a operação também teve foco nos bairros Camping Clube e Alto da Glória, locais onde os investigados exerciam influência. “São bairros um pouco mais distantes aqui do centro urbano e que muitas vezes eles acreditam que por essa distância eles podem, vão se ausentar da responsabilidade criminal. Mas vocês podem ter certeza de que, com a união de esforços aqui dos órgãos de segurança pública, nós estamos cada vez mais dedicados para que nós possamos entregar à sociedade esses resultados”.
Durante as diligências, foram apreendidas drogas, cestas básicas, celulares e uma arma de fogo. No Presídio Ferrugem, os trabalhos continuam devido à complexidade da operação.
Questionado sobre a entrada de celulares e drogas na unidade prisional, Getúlio Daniel afirmou que qualquer servidor envolvido com organizações criminosas será responsabilizado. “Aquele que integra uma instituição pública e comete esse tipo de ato ilícito é pior do que o criminoso que se identifica dessa forma. Aquele que está dentro, principalmente das instituições policiais auxiliando uma organização criminosa, é uma conduta extremamente grave”.
Ele lembrou que, no ano passado, um policial penal foi preso por envolvimento com esse tipo de prática, mas ressaltou que a situação não representa a maioria dos servidores. “Infelizmente nós tivemos que realizar a prisão de um policial penal. Só que eu falo com muita clareza, isso não é a regra nas instituições. Infelizmente acontece, a gente não tem problema de cortar na própria carne, mas nós temos aqui policiais honestos, policiais trabalhadores e que estão devotos à sociedade”.
O GAECO é uma força-tarefa permanente composta de forma integrada por membros do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, da Polícia Civil, da Polícia Militar, da Polícia Penal e do Sistema Socioeducativo.
PORTAL PARANATINGA – CRÉDITOS Matéria Só Notícias/Kelvin Ramirez (fotos: assessoria)

























