Mendonça bate de frente com Gilmar: “Faço questão de publicar minhas decisões

Mendonça e Gilmar Mendes protagonizaram embate no STF sobre publicação de decisões judiciais e prisões preventivas durante julgamento do caso Master

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Sessão no STF foi marcada por embates sobre transparência judicial e prisões preventivas no caso Master

Um embate entre os ministros André Mendonça e , do  (STF), marcou a sessão desta terça-feira, 16, durante o  de réus do . A divergência girou em torno de dois temas sensíveis: a obrigatoriedade de publicação de decisões judiciais e a legitimidade das prisões preventivas decretadas na operação.

Mendonça defendeu que a publicação de suas decisões é uma prática que adota por convicção pessoal. “Eu faço questão de publicar minhas decisões. Sabe por quê? É uma forma da sociedade criticar minhas decisões”, afirmou o ministro.

Gilmar Mendes interveio de forma incisiva, sustentando que não se trata de uma opção individual. “Vossa Excelência não tem alternativa. É a lei que manda. É a Constituição que manda. Vossa Excelência não escolhe se publica ou se não publica as decisões”, disse.

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Em resposta, Mendonça traçou uma distinção entre tipos de decisão: “Tem decisão que é pública. Tem decisão que eu posso manter em sigilo, reservada aos magistrados. É distinto.”

Gilmar insistiu na tese de que a regra geral é a publicidade: “A rigor, as decisões devem ser publicadas.”

“Nem todas”, rebateu Mendonça.

“Inclusive para o controle geral”, reforçou Gilmar.

O diálogo foi encerrado por Mendonça com um tom conciliatório: “Fico feliz que Vossa Excelência estimule isso.”

Prisões preventivas e comparação com a Lava Jato

Outro ponto de atrito na mesma sessão envolveu as prisões preventivas dos réus do caso Master. Gilmar Mendes levantou a preocupação de que a manutenção de réus presos pudesse servir como mecanismo de pressão para forçar acordos de  premiada, traçando paralelo com métodos utilizados durante a Operação Lava Jato.

“Quando um acordo é celebrado em ambiente de pressão há a completa erosão da voluntariedade que necessariamente deve nortear qualquer colaboração”, argumentou Gilmar.

O ministro também ressaltou que os investigados mantêm garantias fundamentais. “Os investigados são pessoas que fizeram algum tipo de erro, mas isso não os desprovê de direitos”, completou.

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Mendonça refuta associação com práticas da Lava Jato

André Mendonça reagiu de forma direta à comparação. “Não estamos falando de Lava Jato, ministro Gilmar”, afirmou ao defender a manutenção das medidas cautelares.

O ministro fez questão de rejeitar qualquer insinuação de que as prisões preventivas teriam motivação diferente da prevista em lei. “Minha única pretensão aqui é aplicar a lei. Vossa excelência tem razão, não se prende pra delação. Seria abjeto fazer isso. E eu não me presto a trabalhos abjetos. Se prende, se está praticando, se está obstruindo a justiça, se está tentando ocultar provas, se há uma continuidade delitiva”, declarou Mendonça.

PORTAL PARANATINGA – Folha Destra – Foto – Rosinei Coutinho/STF

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