A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quinta-feira (20.8), a Operação Falso Sorriso, para cumprimento de três ordens judiciais de busca e apreensão e afastamento do sigilo de dados telemáticos, tendo como alvo a funcionária de uma clínica odontológica em Cuiabá, investigada por aplicar golpes em pacientes.
Os mandados contra a mulher, de 31 anos, foram deferidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias da capital com base em investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá.
A investigada é suspeita de desviar valores pertencentes a uma clínica odontológica localizada no bairro Campo Velho, em Cuiabá, e de aplicar golpes contra clientes do estabelecimento, utilizando-se da função administrativa e financeira que exercia no local. O prejuízo estimado às vítimas é de R$ 100 mil
As buscas têm como objetivo interromper a continuidade das condutas investigadas e apreender aparelhos celulares, computadores, máquinas de cartão, documentos e outros elementos que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos, a identificação de novas vítimas e a delimitação do prejuízo financeiro.
*Desvio de valores*
A funcionária conquistou a confiança dos proprietários e colaboradores da clínica, passando a ter acesso ao sistema de gestão, aos dados cadastrais dos pacientes, contratos, parcelas e registros de pagamentos. Valendo-se dessa posição, ela teria abordado pacientes pessoalmente ou por meio de seu WhatsApp particular, oferecendo descontos condicionados ao pagamento por Pix, links, QR Codes ou máquina de cartão vinculados às suas próprias contas.
Após receber os valores, a investigada teria manipulado os registros internos para que os pacientes figurarem como adimplentes, permitindo a continuidade dos tratamentos, embora os pagamentos não tivessem ingressado no caixa da clínica. Também foram identificados indícios de recebimentos em espécie, alteração de datas de vencimento e cobranças realizadas em nome do estabelecimento, inclusive com menção à possibilidade de negativação dos pacientes.
*Descoberta do esquema*
O esquema foi descoberto depois que uma paciente informou aos proprietários que havia realizado um Pix diretamente para a conta pessoal da então funcionária. A apuração interna identificou mais de 15 pacientes em situações semelhantes e contratos que, inicialmente, ultrapassam R$ 50 mil. O prejuízo total estimado pode superar R$ 100 mil, considerando também os tratamentos efetivamente realizados sem o correspondente ingresso financeiro.
Mesmo após ser dispensada por justa causa, a investigada teria continuado a entrar em contato com pacientes, apresentando-se como funcionária da clínica e realizando novas cobranças em nome do estabelecimento.
A suspeita pode responder pelos crimes de furto qualificado mediante fraude, furto qualificado pelo abuso de confiança e estelionato, sem prejuízo de outros delitos que eventualmente sejam constatados após a análise dos materiais apreendidos.
Os materiais apreendidos durante a operação serão analisados pelas equipes de investigação e, quando necessário, submetidos à perícia técnica. As investigações prosseguem para o completo esclarecimento dos fatos, identificação de eventuais novas vítimas e responsabilização dos envolvidos.
*Nome da operação*
Falso Sorriso faz referência ao segmento odontológico em que os fatos ocorreram e à relação de confiança estabelecida pela investigada no ambiente profissional, que teria sido utilizada para encobrir os sucessivos desvios e golpes praticados contra os pacientes.
PORTAL PARANATINGA – Com Assessoria da PJC MT






















