Movimento reafirma aliança com o governo, defende socialismo, ataca o setor produtivo rural e ainda presta solidariedade a regimes autoritários
Em mais um capítulo da relação de dependência política entre o MST e o governo federal, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra divulgou, na quarta-feira, 29, um manifesto com suas prioridades para as eleições de 2026. O documento formaliza o apoio à candidatura de reeleição do presidente Lula — apesar de o próprio movimento já ter criticado publicamente o ritmo de assentamentos durante o atual mandato.
A contradição, no entanto, não parece incomodar a cúpula do MST. Mesmo insatisfeito com os resultados concretos da reforma agrária sob Lula, o movimento opta por renovar a aliança, evidenciando que os laços ideológicos falam mais alto do que as entregas de campanha.
Agronegócio na mira: taxação e revogação da Lei Kandir
Entre as propostas econômicas do manifesto, chama atenção o direcionamento contra o agronegócio, setor que responde por boa parte da balança comercial brasileira e sustenta milhões de empregos. O MST defende a taxação do agronegócio e dos agrotóxicos, além de propor a revogação da Lei Kandir, que isenta de ICMS as exportações de produtos primários.
O documento também ataca o arcabouço fiscal, pede a redução da taxa básica de juros e propõe ampliar a influência do governo sobre o Banco Central. Na prática, o movimento quer que o Estado tenha ainda mais controle sobre a política monetária — uma receita já conhecida em países cujas economias foram destruídas por intervencionismo excessivo.
Outras propostas incluem a proibição das apostas esportivas on-line, conhecidas como bets, e maior fiscalização sobre bancos e fintechs.
Reforma agrária e desapropriações continuam como bandeira central
A reforma agrária permanece como a principal bandeira da organização. O manifesto defende a desapropriação de latifúndios considerados improdutivos ou envolvidos em crimes ambientais e trabalhistas. O critério de “improdutividade”, contudo, historicamente é alvo de controvérsias, dado que o MST frequentemente ocupa terras produtivas em suas ações.
As propostas integram o que o movimento chama de construção de um “Projeto Popular para o Brasil”. O texto também prevê o lançamento de candidatos próprios do MST para disputar vagas na Câmara dos Deputados e nas Assembleias Legislativas — um avanço institucional de um movimento que, ao mesmo tempo, não abandona táticas de pressão como invasões.
Socialismo declarado e solidariedade a regimes autoritários
O manifesto não esconde o viés ideológico radical. O MST afirma defender a construção de um projeto voltado ao socialismo e propõe enfrentar o que classifica como capitalismo, racismo, patriarcado e sexismo.
Na política internacional, o movimento vai além: manifesta solidariedade a Cuba, Venezuela, Haiti e Palestina. A menção à Venezuela é particularmente reveladora, já que o MST presta apoio ao regime ditatorial de Nicolás Maduro — um governo que viola sistematicamente direitos humanos e mantém presos políticos.
A solidariedade a Cuba também levanta questionamentos, considerando que a ilha caribenha vive sob um regime de partido único há mais de seis décadas, com liberdades civis severamente restringidas.
O peso político do alinhamento Lula-MST
O manifesto escancara a simbiose entre o governo Lula e o MST. De um lado, o presidente garante base social mobilizada; de outro, o movimento assegura acesso a recursos públicos e legitimidade institucional. O contribuinte brasileiro, porém, é quem financia essa engrenagem — e o agronegócio, motor da economia nacional, se vê tratado como adversário por um movimento que sobrevive às custas do próprio Estado que o setor ajuda a financiar.
PORTAL PARANATINGA – Matéria por Folha Destra – Foto: Divulgação/MST






















